Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiram rapidamente em defesa de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, após a Polícia Federal mirar o dirigente em investigação sobre emendas parlamentares, mas não repetiram o gesto com Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e filiado ao Republicanos-MG.
Até o fim do domingo, nomes centrais da oposição, como Flávio Bolsonaro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e o senador Rogério Marinho (PL-RN), não haviam se manifestado em apoio a Cunha. A diferença de tratamento ocorreu mesmo com os dois políticos na mira de decisões do ministro Flávio Dino, do STF.
Valdemar e Cunha entraram nas apurações da PF por suspeitas relacionadas a indicações de emendas parlamentares sem mandato eletivo. No caso do presidente do PL, Dino determinou na sexta-feira o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens.
O despacho apontou suspeita de que Valdemar teria sido o autor real das indicações e beneficiário político de 21 repasses. Flávio divulgou nota no mesmo dia e afirmou: “Como presidente do maior partido do Brasil, é natural que ele atue politicamente junto a deputados federais, em especial os do próprio PL. Lamentável ver a PF atuando de forma seletiva para constranger um adversário político do atual governo”.
Eduardo também saiu em defesa do presidente do PL e disse não ver irregularidade na atuação partidária. “Nunca recebi qualquer pedido do presidente Valdemar Costa Neto para indicar emendas e, justamente por isso, sinto-me à vontade para esclarecer algo que nem todos conhecem: a indicação de emendas parlamentares é uma prática do ofício de todos os deputados e senadores, independentemente de partido ou espectro ideológico”, declarou.