Olá, no futebol, só nos restou secar. Mas nas eleições, ainda podemos ganhar.
.Ajuste fino. Passada a Copa e faltando três meses para as eleições, Lula pode respirar e aproveitar uma situação relativamente confortável. Afinal, a distância entre ele e Flávio Bolsonaro nas pesquisas parece consolidada. Mais importante, finalmente as medidas governamentais começam a surtir efeito na opinião pública e a aprovação voltou a ser maior que a reprovação, o melhor resultado desde dezembro de 2024. A economia está estável, apesar do endividamento familiar, dos juros estratosféricos e dos solavancos internacionais, e os efeitos inflacionários do petróleo e do El Niño não devem ser sentidos antes de outubro. O novo tarifaço de Trump veio para ficar, mas a perseguição ao Brasil tem motivações políticas e só reforça a insistência de Lula na defesa da soberania. Do Congresso, não se pode esperar muita coisa antes do recesso e, se depender de Davi Alcolumbre, nada de importante será votado até as eleições, o que inclui a PEC da Segurança, o fim da escala 6×1 e a regulamentação da exploração de terras raras, projetos prioritários para o Planalto. Assim, o governo deve contentar-se em gerenciar pautas-bombas vindas do Senado e comemorar as pequenas vitórias do quotidiano, como a renegociação das dívidas dos produtores rurais — que deve contribuir para a adesão de parte do agronegócio à reeleição de Lula — e o avanço do PL que criminaliza a misoginia. Na esfera partidária, Lula tem trabalhado para afastar uma parte importante do centrão da candidatura de Flávio Bolsonaro, tentando garantir a neutralidade do União, do Progressistas e do Republicanos, além de trabalhar para uma aproximação das lideranças evangélicas. Buscando ainda uma demonstração de força, o presidente planeja mudar o ato de lançamento de sua candidatura do Ceará para a emblemática cidade de São Bernardo, no ABC Paulista, berço do petismo. A escolha visa aumentar a presença de Lula no maior colégio eleitoral do país e abrir fogo contra Tarcísio de Freitas, reforçando a campanha do PT ao governo de São Paulo. Mas nem tudo são flores. O bom desempenho do presidente nas pesquisas não significa ausência de disputas internas sobre os rumos da campanha, especialmente no que se refere ao plano de governo e ao trabalho de comunicação.
. Família que perde unida . A parada para a Copa do Mundo era estratégica para Flávio Bolsonaro, que contava que o episódio Dark Horse caísse no esquecimento e que sua candidatura recuperasse a competitividade. Mas, graças ao apoio de toda a família, Bolsonarinho conseguiu a proeza de aumentar sua rejeição de 52% para 57% de abril para cá, segundo a Quaest. Primeiro, graças ao irmão Eduardo e à militância ativa para taxar o Brasil. Assim, 51% dos eleitores atribuem aos Bolsonaros a taxação contra o Brasil e 58% acreditam que Flávio não tem força para reverter as tarifas, o que supostamente seria seu ativo eleitoral. Na prática, os Bolsonaros definiram o mote da campanha petista. Da sua parte, Eduardo está condenado no STF e dificilmente voltará tão cedo para o Brasil. Depois veio o vídeo de Michelle, que solapou as intenções de votos de Flávio entre mulheres e evangélicas. Mas Michelle também não saiu ganhando. Ainda segundo a Quaest, só 16% acreditam que ela quis se defender dos ataques do enteado, enquanto 34% acreditam que ela deseja mesmo é ser candidata no lugar de Flávio. Por fim, Jair não podia deixar de dar sua contribuição à lambança. A carta que escreveu para reafirmar a liderança do filho, em meio ao tiroteio com Michelle, funcionou apenas para o STF proibir o contato do candidato Flávio com o cabo eleitoral Jair, e as sucessivas violações de cautelares podem, no futuro, reverter a prisão domiciliar. Além disso, a defesa do ex-capitão preso subestimou a inteligência alheia ao afirmar que a carta intitulada e endereçada “aos brasileiros” não foi escrita para ser divulgada. Flávio também é capaz de arranjar seus próprios problemas sozinho, como uma suposta foto ao lado do sicário de Daniel Vorcaro circulando nas redes sociais. Além do apoio familiar, a campanha bolsonarista ainda conta com o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, sendo citado como o autor oculto de emendas numa investigação que envolve velhos conhecidos como Eduardo Cunha, sua criatura Arthur Lira e (quem sabe?) deságue em prisões de parlamentares em plena campanha. Tudo isso resulta em outros problemas. Prestes a ser dada a largada, Flávio ainda não conseguiu o apoio do Republicanos e da federação União Brasil-PP, enquanto os palanques estaduais no Rio e em Minas seguem vazios, além do pouco empenho de Tarcísio em São Paulo.
.O mito da ‘Argentina branca’. O Brasil de Fato explica como o apagamento da história negra e indígena constituiu o racismo no país que participa das finais da Copa.
.Dez anos de ‘Agro é pop’. O podcast Prato Cheio reconstrói a trajetória da campanha que mudou a autoimagem do agronegócio brasileiro.