Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 1º de julho indica que Michelle Bolsonaro (PL) ampliou apoio na extrema‑direita, sobretudo entre mulheres e evangélicos.
Na simulação de segundo turno, Lula (PT) tem 48,7% das intenções, enquanto Michelle alcança 38,9%; votos brancos, nulos e indecisos somam 12,4%.
No cenário de primeiro turno, Lula registra 47,1% e Michelle 19,3% das intenções de voto.
A pesquisa é a primeira após o conflito público entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro, provocado por divergências na formação dos palanques estaduais do PL.
A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (1º), indica que Michelle Bolsonaro (PL) ampliou sua influência política na extrema direita em meio à crise pública envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL). O levantamento aponta que a ex-primeira-dama continua sendo um dos principais ativos eleitorais do campo bolsonarista, especialmente entre mulheres e evangélicos.
Na simulação de segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 48,7% das intenções de voto, contra 38,9% de Michelle Bolsonaro. Os votos brancos, nulos e indecisos somam 12,4%. Já no cenário de primeiro turno, Lula registra 47,1%, enquanto Michelle alcança 19,3%.
A pesquisa é a primeira realizada após o conflito público entre Michelle e Flávio Bolsonaro, desencadeado por divergências sobre a formação dos palanques estaduais do PL. Na ocasião, a ex-primeira-dama acusou o senador de ter lhe dado uma “punhalada” e de submetê-la a situações de humilhação política.
Queda entre as mulheres
O recorte por gênero revela uma das principais mudanças captadas pelo levantamento. Em maio, Flávio Bolsonaro aparecia tecnicamente empatado com Lula entre o eleitorado feminino. O senador registrava 43,5% das intenções de voto, enquanto o presidente tinha 43,7%.
Na nova pesquisa, porém, o cenário se alterou significativamente. Lula avançou para 50,1% entre as mulheres, enquanto Flávio recuou para 35,1%, acumulando uma perda superior a oito pontos percentuais em pouco mais de um mês.
O resultado reforça avaliações já feitas por integrantes do PL, que consideram o eleitorado feminino um dos principais desafios para uma eventual candidatura presidencial de Flávio. A preocupação aumentou após o agravamento da crise envolvendo Michelle Bolsonaro, que construiu forte identificação junto às eleitoras desde sua atuação como primeira-dama e presidente do PL Mulher.
Queda acentuada entre evangélicos
Outro movimento relevante identificado pela pesquisa ocorreu entre os eleitores evangélicos, um dos segmentos historicamente mais alinhados ao bolsonarismo.
Em maio, Flávio Bolsonaro concentrava 50,9% das intenções de voto nesse grupo. No novo levantamento, o percentual caiu para 42,9%. Ao mesmo tempo, Lula avançou de 25% para 39,7%, reduzindo consideravelmente a vantagem da direita nesse segmento.
A mudança ocorre justamente em um dos grupos onde Michelle Bolsonaro consolidou maior influência política nos últimos anos, ampliando sua atuação junto às lideranças religiosas e ao eleitorado conservador.
Crises políticas tiveram impactos distintos
A pesquisa também sugere que as principais crises políticas das últimas semanas produziram efeitos eleitorais diferentes para governo e oposição.
No campo oposicionista, Flávio Bolsonaro ainda enfrenta os desdobramentos da revelação de que teria solicitado recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio desencadeou uma crise interna no PL e foi seguido pelo embate público com Michelle Bolsonaro.
Jaques Wagner não respingou em Lula
Já o presidente Lula atravessou o mesmo período sem registrar perdas relevantes de apoio, mesmo após a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, atingir o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), investigado por suspeitas relacionadas ao Banco Master. O senador nega qualquer irregularidade e afirma que as acusações não possuem fundamento.
A expectativa agora se concentra em um novo bloco de dados da pesquisa. A AtlasIntel incluiu perguntas específicas sobre a repercussão eleitoral do conflito entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Os resultados desse levantamento complementar devem ser divulgados nesta quinta-feira (2).
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 4.999 eleitores entre os dias 26 e 30 de junho. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04582/2026.