O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, levou a embaixadores na terça-feira (21) uma informação falsa ao afirmar que as urnas eletrônicas brasileiras “têm a mesma origem” da Smartmatic, empresa venezuelana que ele associa ao sistema de votação. A fala retomou uma tese que o parlamentar usa desde 2014, apesar dos desmentidos da Justiça Eleitoral.
A mesma associação apareceu poucas semanas depois da reeleição de Dilma Rousseff (PT), quando Flávio ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro. Na ocasião, ele declarou: “O que nos une é a desconfiança da urna eletrônica, um programa feito por uma empresa venezuelana, a Smartmatic”.
A Justiça Eleitoral afirma que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem programas usados nos equipamentos brasileiros. Os contratos da empresa com a área eleitoral envolveram serviços auxiliares, como conexão de dados e voz e treinamento de suporte.
Depois da repercussão da fala a embaixadores, a assessoria de Flávio disse que ele não colocou o processo eleitoral em dúvida e que mantém “integral confiança no sistema eleitoral brasileiro”. A nota, porém, não corrigiu nem explicou a ligação falsa feita entre a Smartmatic e as urnas.
Em setembro de 2018, Flávio escreveu em rede social que seria “impossível garantir a lisura das urnas sem o voto impresso”. Às vésperas do primeiro turno daquele ano, afirmou ao jornal O Globo: “Nós temos o direito de desconfiar da urna eletrônica”. No dia da votação, compartilhou um vídeo manipulado que simulava preenchimento automático do voto em Fernando Haddad (PT); o TSE e o TRE-MG desmentiram a gravação, e ele apagou a publicação.