As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) passaram a concentrar esforços nos eleitores que faltaram ao primeiro turno, diante da disputa apertada pela Presidência. O time petista mira especialmente os idosos com mais de 70 anos, enquanto o grupo bolsonarista tenta impedir a desmobilização de apoiadores em estados onde as eleições locais já terminaram. Com informações de O Globo.
A abstenção chegou a 21,08% no primeiro turno, o maior índice desde 1998, e alcançou 33,5 milhões de eleitores. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que os grupos de 18 a 29 anos e de mais de 70 anos reuniram 16,05 milhões de ausentes, ou 48,8% do total, embora correspondam a 31,4% do eleitorado.
Entre os eleitores acima de 70 anos, 8,46 milhões não compareceram às urnas. O voto é facultativo nessa faixa etária, e aliados de Lula avaliam que a mobilização desse público pode ajudar o presidente a reduzir a desvantagem de 2,2 milhões de votos registrada no primeiro turno. Pesquisa Quaest apontou Lula com 47% entre eleitores acima de 60 anos, ante 39% de Flávio.
Sidônio Palmeira, ministro licenciado da Secretaria de Comunicação Social e estrategista da campanha petista, afirmou esperar maior comparecimento no segundo turno. “Será só um voto, vai ser mais rápido e vai diminuir as filas”, disse. Em ato em Minas Gerais, Lula convocou seus apoiadores a procurar quem não votou: “Vamos de casa em casa para convencer”. A campanha também quer cobrar de prefeitos a oferta de transporte público gratuito no dia da votação.
O entorno de Flávio teme que o encerramento das disputas estaduais reduza a atividade de aliados em locais onde o candidato do PL superou Lula, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, disse que cada estado precisa buscar novos eleitores e incentivar o comparecimento de quem apoiou Flávio no primeiro turno.