Qual a diferença entre Marcola e Bolsonaro? Marcola não tentou um golpe de Estado, nunca chefiou militares e, se tivesse oportunidade, certamente romperia uma tornozeleira eletrônica. O líder do PCC não tem filho candidato, não escreve cartas políticas e, se escrevesse recados de dentro da cadeia para empoderar seu sucessor em liberdade, seria mandado para a solitária.
A semelhança básica entre os dois é que ambos foram condenados como chefes de organizações criminosas armadas. Mas ninguém imagina que especialistas em Direito poderiam ser convocados pelos jornalões para saber se Marcola pode ou não pedir, em mensagem escrita à mão para ser lida nas redes sociais, unidade total em torno de um filho que assumiu seu legado e seus negócios.
O Bolsonaro presidiário provoca debates por causa da carta que fez para o filho livre, por uma distorção da realidade e do suposto status perpétuo de chefe político. O chefão teria o direito de se manifestar em nome da liberdade de opinião que atuais ou ex-ocupantes de cargos públicos reclamam como absoluta.
Bolsonaro teria para sempre o privilégio de ex-presidente acima de qualquer outra condição? Não. Bolsonaro é um criminoso preso. É seu status atual. Condenado, encarcerado e beneficiado pela prisão domiciliar por questões humanitárias, mas criminoso, sem os direitos políticos de poder votar e de ser votado.
Deveria estar quieto, como Marcola está, e não poderia ser pauta sobre alegadas controvérsias. Não há polêmica, não há nada impreciso ou nebuloso no fato de que é um criminoso perigoso condenado a 47 anos de prisão.