A pistola registrada em nome de Jair Bolsonaro, apreendida em blitz da Polícia Civil do Distrito Federal, foi inutilizada pela equipe de segurança.
O descarte recebeu aval de Michelle Bolsonaro, que justificou a ação por preocupação com a integridade física do marido.
O militar Estácio Leite da Silva Filho, responsável pela segurança de Bolsonaro, confirmou que a arma estava sob sua custódia antes da destruição.
A decisão demonstra que o ex‑presidente condenado não está mais tomando decisões centrais sobre seu patrimônio ou seu grupo político.
A pistola registrada em nome de Jair Bolsonaro (PL), apreendida em uma blitz da Polícia Civil do Distrito Federal, tinha sido inutilizada por decisão da equipe de segurança, com o aval de Michelle Bolsonaro. As informações têm como base relatos de pessoas que tiveram acesso ao depoimento do militar Estácio Leite da Silva Filho, que atua na segurança de Bolsonaro e que estava com a arma em seu poder.
A recente decisão de inutilizar a pistola, tomada diretamente pela ex-primeira-dama por preocupação com a integridade física do marido, deixa a entender que o ex-presidente condenado já não estaria tomando decisões centrais que envolvem seu próprio nome e o direcionamento de seu grupo político.
O fato de o aval para o descarte do armamento ter partido de Michelle explicita o esvaziamento da autoridade de Bolsonaro. Uma das explicações seria a grande quantidade de medicamentos utilizados por ele.
A perda de protagonismo de Jair Bolsonaro já se manifestou anteriormente em episódios de certa insubordinação de personagens ligados a seu entorno. O esvaziamento do poder de comando do ex-presidente fica cada vez mais evidente na perda de controle sobre a conduta de seus próprios filhos e esposa.
Um exemplo emblemático do isolamento político de Bolsonaro foi a divulgação recente, por parte de Michelle, do vídeo desferindo ataques diretos ao senador Flávio Bolsonaro (PL), deflagrando uma crise na extrema direita, inclusive na pré-campanha presidencial do filho mais velho do ex-mandatário.
A exposição pública dessa briga, sem o consentimento ou a capacidade de contenção por parte do ex-presidente, chamou atenção de aliados e evidenciou que a ex-primeira-dama assumiu rédeas próprias, operando de forma independente da antiga liderança do marido.
Fator Nikolas
Outro episódio marcante e também recente foi quando Jair Bolsonaro deu ordem para que o núcleo duro do bolsonarismo diminuísse críticas públicas ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Porém, a resposta dos filhos do ex-presidente foi de insubordinação: ignoraram o comando do pai e continuaram, de forma incisiva, com ataques e cobranças públicas ao parlamentar mineiro.
“Dark Horse”
Além, é claro, do escândalo causado pelos pedidos de dinheiro feitos por Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcado, ex-dono do Banco Master. De acordo com o senador, os recursos visavam o financiamento e a realização do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair.