
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) voltou a defender neste sábado (4) a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (PNEBS), lançada pelo Ministério da Educação no governo Lula. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou que a pauta da comunidade surda está “acima de qualquer ideologia ou partido”.
A manifestação ocorreu um dia depois de Michelle elogiar a iniciativa do MEC e classificá-la como “realização de um sonho”. A declaração chamou atenção por partir de uma das principais figuras do bolsonarismo em meio ao ambiente de confronto permanente da extrema-direita contra o governo Lula.
Michelle afirmou que sempre foi defensora das pessoas com deficiência e que a pauta é “do meu coração”. “O mais importante não é quem apresentou a política, mas sim quem se beneficia dela — a Comunidade Surda! Eles estão de parabéns!”, escreveu.

A ex-primeira-dama também citou Jair Bolsonaro (PL) para tentar enquadrar o gesto como uma defesa suprapartidária. Segundo ela, o ex-presidente teria dado uma “demonstração clara de que o bem das pessoas deve prevalecer sobre diferenças partidárias” ao sancionar, durante seu governo, a Lei Amália Barros, apresentada por um parlamentar do PT e voltada ao reconhecimento da visão monocular como deficiência sensorial.
Michelle ainda afirmou que a PNEBS surgiu no governo Jair Bolsonaro, mas disse que uma ação judicial teria atrasado a tramitação e impedido a entrega da política antes do fim da gestão. A iniciativa foi apresentada agora pelo MEC, já sob Lula.
O aceno ao governo petista provocou críticas em setores da base bolsonarista. A reação ocorre enquanto Michelle enfrenta uma crise pública com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, a quem acusou de tê-la humilhado, maltratado e desrespeitado em uma conversa por telefone sobre articulações eleitorais do PL.