Diplomatas do alto escalão do Itamaraty cogitam antecipar a aposentadoria caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença a disputa presidencial, diante das ameaças do ex-deputado Eduardo Bolsonaro contra servidores que apoiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação circula entre embaixadores próximos da idade-limite de 75 anos para permanecer na carreira. Com informações de estadao.com.br.
A apreensão aumentou depois de Eduardo defender uma “faxina” no Ministério das Relações Exteriores e mirar integrantes da diplomacia que se posicionaram na campanha eleitoral. Parte dos servidores teme uma retirada de espaço de áreas como direitos humanos, meio ambiente, temas de gênero, América Latina e organismos multilaterais.
Ao menos três secretários do ministério disseram que veem uma eventual vitória de Flávio como o encerramento de suas trajetórias no órgão. Um deles afirmou que preferiria atuar em um consulado, em funções mais distantes de orientações políticas, a obedecer a instruções de um possível novo governo.
O receio também decorre da experiência do governo de Jair Bolsonaro (PL), quando setores da política externa ligados a pautas ambientais, de gênero e multilaterais perderam relevância. Diplomatas alinhados à orientação da atual gestão consideram que poderiam ocupar postos de destaque em um eventual quarto mandato de Lula, mas tratam a hipótese de um governo Flávio como “fim da linha”.
Eduardo ameaçou transferir a embaixadora Vanessa Dolce de Faria, alta representante para temas de gênero do Itamaraty, para o Zimbábue após ela publicar uma foto com camisa e bandeira de Lula em um ato de campanha. “Creio que esta guerreira, Alta Representante Para Temas de Gênero, tão sedenta por democracia deveria ir de missão ao Zimbábue”, escreveu ele no X.