Condenado no Brasil e foragido nos Estados Unidos, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro conseguiu um Green Card, o visto de permanência no país de Donald Trump. A notícia, publicada inicialmente pela Folha de S. Paulo, não surpreendeu a cientista política Mayra Goulart.
“Existe um apoio inequívoco por parte de Trump à família Bolsonaro como representantes de uma extrema direita que é global e que se retroalimenta. É isso que explica essas reiteradas iniciativas para dificultar e intervir no cenário eleitoral no Brasil”, afirma a especialista.
Eduardo Bolsonaro buscou o governo Trump para a instalação das tarifas contra o Brasil ainda em 2025, primeiro ano da gestão do republicano. O objetivo era pressionar as instituições brasileiras para inocentarem seu pai da condenação por tentativa de golpe em 2023. Como resultado, o próprio Eduardo acabou condenado por coação à Justiça.
Goulart destaca, no entanto, um certo desprezo que, mesmo assim, prevalece na relação entre o líder da extrema direita dos Estados Unidos e os políticos brasileiros que o apoiam. “Há um certo menosprezo por parte de Trump por países periféricos como o Brasil. Isso, somado a uma desinformação geral, uma falta de cuidado por parte da extrema direita, faz com que ele faça falas sem sentido, confundindo os irmãos Flávio e Eduardo”, analisa.
As intervenções de Donald Trump buscam atingir a corrida eleitoral brasileira. No entanto, a cientista política minimiza o impacto possível. “O impacto de discussões internacionais tradicionalmente é baixo em eleições presidenciais no Brasil”, diz.