Preso nesta quinta-feira (15) pela Polícia Federal (PF), o deputado estadual eleito Márcio Canella (União) teve a candidatura contestada pelo Ministério Público Eleitoral por suposto envolvimento com milícias e organização criminosa no Rio de Janeiro. Mesmo assim, o registro foi liberado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a poucos dias da eleição, em 29 de setembro.
A investigação da PF que embasou a prisão no âmbito da operação Unha e Carne aponta supostos acordos com o Comando Vermelho (CV) e vínculos com milicianos em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O documento que o UOL teve acesso descreve que havia uma negociação com traficantes locais para retirada temporária de barricadas, “com o escopo exclusivo de viabilizar a execução de obras urbanísticas públicas e sua subsequente exploração político-eleitoral midiática pela prefeitura”.
Em contrapartida, a administração de Canella garantia “recuo deliberado” das operações policiais e a “devolução pacífica” do controle territorial para o grupo armado, segundo a PF. Por outro lado, a Prefeitura de Belford Roxo apresentava a Operação “Barricada Zero” como uma ação de enfrentamento ao tráfico de drogas.
O ex-prefeito se tornou o segundo mais votado para a Assembleia Legislativa (Alerj) em 4 de outubro, tendo recebido 83% dos seus votos em áreas controladas por grupos criminosos armados, segundo levantamento do pesquisador Bruno Pantaleão, do Centro de Segurança Pública e Analytics da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado pelo UOL.