Um dia antes do incêndio que atingiu a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, o deputado federal eleito Thiago Medina (PL-PE), aliado de Flávio Bolsonaro, revelou que já estava organizando grupos anti-Lula em universidades pernambucanas para atuar no segundo turno das eleições presidenciais. A declaração foi publicada na terça-feira (6), às 18h08, pelo Blog do Ricardo Antunes. Na noite de quarta-feira (7), um prédio da UFPE foi atingido por um incêndio, enquanto denúncias de ameaças de bomba contra estudantes ganhavam repercussão nas redes sociais. O parlamentar bolsonarista nega qualquer envolvimento com o incêndio na universidade ou com as ameaças dirigidas aos alunos pró-Lula.
Medina contou que havia retornado às universidades acompanhado de Gilson Filho, eleito deputado estadual pelo PL, para distribuir material da campanha de Flávio Bolsonaro e formar grupos contrários ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na entrevista, Medina afirmou: “Hoje mesmo já voltei às universidades para distribuir material do Flávio”. Em seguida, acrescentou: “Estamos fazendo muitos grupos de faculdade anti-Lula”. Segundo o parlamentar, a mobilização era estadual, não se restringindo à capital nem à Região Metropolitana do Recife.
A declaração mostra que a organização dos grupos já estava em andamento na terça-feira (6), antes da repercussão das denúncias sobre ameaças divulgadas nas redes. Medina apresentou a iniciativa como parte da estratégia para ampliar a votação de Flávio Bolsonaro em Pernambuco, estado onde Lula venceu o primeiro turno com 63,45% dos votos, contra 31,03% do adversário, segundo os resultados citados pelo blog.
Posteriormente, capturas de tela divulgadas nas redes sociais mostraram diferentes grupos universitários de oposição a Lula, entre eles “UFPE ANTI-LULA”, “UNINASSAU BV ANTI-LULA” e “Universidades ANTI-LULA | Grupo 3”. Este último aparecia com 1.015 integrantes e uma imagem de campanha de Flávio Bolsonaro.