- Ana Cristina Valle, ex‑esposa de Jair Bolsonaro, tem R$ 227 mil bloqueados pela Justiça Eleitoral por não ressarcir dinheiro público usado na campanha de 2022 ao DF.
- O Tribunal Regional Eleitoral do DF rejeitou unanimemente suas contas, seguindo parecer do Ministério Público Eleitoral, apontando irregularidades em despesas de campanha.
- Se o saldo bancário for insuficiente, a cobrança pode recair sobre veículos e imóveis registrados em nome da ex‑candidata.
- A medida foi divulgada pela Veja na sexta‑feira (10).
Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro e mãe do vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), teve R$ 227 mil bloqueados pela Justiça Eleitoral para devolver dinheiro público usado em sua campanha a deputada distrital em 2022, no Distrito Federal.
A informação foi publicada pela Veja nesta sexta-feira (10). O bloqueio ocorre porque Ana Cristina não pagou, no prazo determinado, o valor que a Justiça mandou ressarcir após rejeitar suas contas de campanha. Se o dinheiro nas contas bancárias não for suficiente, a cobrança pode avançar sobre veículos e imóveis registrados em nome da ex-candidata.
Candidata teve campanha reprovada pelo TRE-DF
A prestação de contas de Ana Cristina Valle foi rejeitada por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), seguindo parecer do Ministério Público Eleitoral. Na eleição de 2022, ela disputou uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal com o nome de urna Cristina Bolsonaro.
O relator do caso, desembargador Guilherme Pupe da Nóbrega, afirmou no julgamento que as falhas “permeiam praticamente toda a gama de gastos de campanha”. A Justiça Eleitoral apontou problemas na comprovação de despesas com militância, mobilização de rua, alimentação, combustível, criação de páginas na internet, impulsionamento de conteúdo, locação de bens e contratação de serviços de terceiros.
Segundo o voto, a ex-candidata também não apresentou justificativas, esclarecimentos ou documentos capazes de sanar as irregularidades apontadas pela área técnica. A candidatura de Ana Cristina Valle e os dados da disputa de 2022 constam no sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do TSE.
Ana Cristina Valle foi pivô das rachadinhas do clã Bolsonaro
O bloqueio recoloca Ana Cristina Valle no centro do histórico jurídico e político do clã Bolsonaro. Antes da cobrança eleitoral, ela já havia aparecido como personagem-chave das investigações sobre as chamadas rachadinhas, esquema de devolução ilegal de parte dos salários de assessores em gabinetes parlamentares.
A Fórum mostrou que Ana Cristina Valle foi apontada como operadora inicial do esquema no entorno de Carlos Bolsonaro. Ela foi chefe de gabinete do vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro entre 2001 e 2008, período em que familiares dela também ocuparam cargos em estruturas ligadas à família Bolsonaro.
Em outra frente, a Fórum revelou que Jair Bolsonaro e seus filhos empregaram Ana Cristina Valle e parentes dela em gabinetes legislativos. Esse histórico fez da ex-mulher de Bolsonaro uma das figuras mais sensíveis nas apurações sobre cargos, salários e dinheiro público no núcleo familiar do ex-presidente.
Bloqueio mira dinheiro público do fundo eleitoral
A decisão atual, porém, trata especificamente da campanha de 2022. O bloqueio de R$ 227 mil não é uma decisão sobre o mérito das rachadinhas, mas uma cobrança da Justiça Eleitoral por recursos do fundo eleitoral cuja aplicação não foi comprovada de forma regular.
Na prática, Ana Cristina Valle passa a responder a uma cobrança direta sobre dinheiro público de campanha. O caso amplia o desgaste no entorno de Jair Bolsonaro e atinge uma personagem que já foi central nas suspeitas sobre a engrenagem de cargos, salários e repasses que marcou a trajetória política do clã.