Ameaças, intimidações e exposição de dados pessoais passaram a fazer parte da rotina de servidores e servidoras da Justiça Eleitoral após o primeiro turno das eleições de 2026. Os ataques nas redes sociais também atingiram familiares dos trabalhadores, levando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a acionar a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público para investigar os casos e buscar a responsabilização dos envolvidos.
Até o dia 8 de outubro, o TSE havia identificado aproximadamente 30 mil manifestações nas redes sociais com desinformação, discurso de ódio, ameaças veladas e exposição indevida de informações pessoais. Os conteúdos circulavam principalmente nas plataformas X e Meta, responsável pelo Whatsapp, Instagram e Facebook.
Em nota, o tribunal informou que comunicou as plataformas sobre a circulação das publicações irregulares. Também anunciou medidas de segurança para servidores ameaçados e seus familiares, além de apoio psicológico às pessoas atingidas.
Para Fernanda Lauria, da Coordenação de Inovações Tecnológicas em Processos de Trabalho da Federação Nacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe), os episódios não são isolados. Segundo ela, a federação já havia manifestado preocupação com a segurança da categoria em eleições anteriores e voltou a tratar do tema com o TSE antes mesmo do início das campanhas de 2026.
“Esses episódios estão relacionados ao ambiente de radicalização política e à atuação de setores da extrema direita ligados ao bolsonarismo, que passaram a atacar e questionar sistematicamente a credibilidade da Justiça Eleitoral”, afirma Lauria.