
A alta rejeição do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas levou a campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a adotar cautela na associação entre os dois em 2026. Oficialmente coordenador da campanha presidencial de Flávio no Estado, Tarcísio tem dado apoio protocolar ao filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL) para preservar sua própria disputa pela reeleição. Com informações do Estadão.
Aliados do governador afirmam que ele ajudará Flávio, mas só até o ponto em que a presença do senador não represente risco eleitoral em São Paulo. A preocupação cresceu após uma sequência de crises envolvendo o presidenciável do PL e pessoas próximas a ele, embora pesquisas disponíveis ainda não indiquem transferência direta do desgaste para Tarcísio.
Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril, 38% dos eleitores paulistas disseram que não votariam de jeito nenhum em Tarcísio. No caso de Flávio, a rejeição chegou a 53%. O mesmo levantamento apontou que 47% dos entrevistados preferem um governador independente, sem alinhamento nem com Lula nem com Bolsonaro.
O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, explora a aliança para tentar aproximar a imagem dos dois adversários. Pesquisa Datafolha publicada no domingo (05) mostrou Tarcísio com 46% das intenções de voto e Haddad com 30%, em um cenário no qual a disputa pode se concentrar nos dois principais nomes já no primeiro turno.
Pesquisas e crises aumentam cautela no entorno de Tarcísio
Aliados do governador avaliam que a rejeição de Tarcísio voltou a um patamar administrável depois de uma alta no segundo semestre de 2025. Na leitura desse grupo, o desgaste anterior teve relação com o tarifaço imposto pelos Estados Unidos e com o julgamento em que Jair Bolsonaro foi condenado por golpe de Estado.
O levantamento da Quaest em São Paulo saiu antes da revelação do áudio em que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”. Nacionalmente, a rejeição ao senador subiu de 52% em abril, antes do áudio, para 56% em junho, segundo o instituto; esse resultado ainda não captou os efeitos das declarações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) sobre o enteado.
Quando o caso Vorcaro veio à tona, Tarcísio disse a jornalistas que havia “muitas questões que ele mesmo [Flávio] precisa explicar”. Dias depois, na Marcha para Jesus, Flávio afirmou que o governador “é um aliado, um amigo e um grande governador”, mas Tarcísio não publicou em suas redes sociais fotos ou vídeos ao lado do senador no evento.
O papel de Tarcísio como coordenador da campanha de Flávio em São Paulo tem caráter mais simbólico, segundo aliados, porque o governador concentra a agenda na administração estadual. A aposta do senador é aproximar as estruturas de campanha com a transferência de seu “quartel-general” para São Paulo; os dois estiveram juntos no dia 23 em uma feira do agronegócio em Presidente Prudente, após agendas em Guarulhos com André do Prado (PL) e em maio com Guilherme Derrite (PP), ambos pré-candidatos ao Senado.