
Vicente Santini, um dos coordenadores da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, provocou desconforto entre aliados de Eduardo Bolsonaro ao participar de um evento em Washington com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o empresário Joesley Batista, da J&F.
A presença de Santini no encontro, realizado na última sexta-feira (03), foi revelada pelo Metrópoles e confirmada pelo Globo. O evento ocorreu no The Executive Branch, clube privado na capital americana que tem Donald Trump Jr., filho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre seus sócios.
O encontro reuniu autoridades, empresários e convidados nas comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos. Santini participou antes da chegada de Flávio ao país, já que o senador embarcou para Washington apenas no sábado (04).
O senador viajou para participar de uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Nesta terça-feira (07), ele defendeu que o governo americano não aplique sobretaxas sobre produtos brasileiros e afirmou que este é o “pior momento possível” para a adoção das tarifas.

Pessoas próximas à pré-campanha afirmam que Santini não comunicou previamente sua ida ao evento a Eduardo Bolsonaro, a Flávio Bolsonaro nem a Paulo Figueiredo, apontado como um dos principais responsáveis pela articulação da agenda internacional do senador.
Aliados de Flávio dizem que o episódio aumentou o incômodo com o papel de Santini na campanha. O desconforto ocorre em um momento de maior protagonismo dos irmãos Nelson e Vicente Santini na estrutura da pré-campanha presidencial.
Nelson Santini ocupa a tesouraria, enquanto Vicente Santini coordena a agenda de Flávio. Advogado, Vicente também representa empresas do grupo J&F, de Joesley Batista. Ele mantém interlocução com o governo do presidente Lula e ajudou a intermediar o encontro entre o petista e Donald Trump, realizado em maio.
Aliados de Eduardo avaliam que a atuação de Santini para empresas da J&F é incompatível com sua função na campanha, porque veem os irmãos Batista como adversários do bolsonarismo. A interlocutores, Santini minimizou a repercussão e disse não entender por que sua presença no evento estaria sendo associada à campanha de Flávio.
Ele também teria argumentado que participa regularmente de eventos no Brasil e no exterior e que sua ida ao encontro não dependia da presença de Paulo Figueiredo ou de qualquer outro intermediário.