Com apenas dois meses no poder, o governo de Abelardo de la Espriella enfrentou na quarta-feira (14) sua primeira grande onda de protestos na Colômbia. Dezenas de milhares de trabalhadores, estudantes e comunidades indígenas ocuparam as ruas de pelo menos dez cidades do país, como Bogotá, Cali, Medellín, Barranquilla e Bucaramanga, para manifestar rejeição às políticas econômicas da atual gestão e aos retrocessos nos direitos sociais.
Um dos principais motivos da convocação foi a assinatura do Decreto 1525 pelo presidente na véspera das mobilizações. A medida altera as regras de atuação da força pública durante manifestações populares, permitindo a intervenção policial sem a necessidade de fases prévias de diálogo e autorizando o acompanhamento ostensivo das marchas a menos de quatro metros de distância dos manifestantes. Movimentos sociais e juristas denunciam que a norma é inconstitucional.
De la Espriella chegou ao poder após vencer as eleições presidenciais, em maio deste ano, com uma margem estreita de votos em relação ao segundo colocado, o ex-candidato do Pacto Histórico Iván Cepeda. O pleito foi marcado por denúncias de irregularidades e intervenções externas, sobretudo por parte dos Estados Unidos.
Após o primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil, em 4 de outubro, Espriella comemorou o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL), a quem chamou de “amigo”. “Hoje meu coração está com o Brasil; que Deus tenha misericórdia do país irmão, assim como teve com a Colômbia. A verdadeira mudança é derrotar a esquerda”, escreveu Espriella em sua conta na rede social X. “Um grande abraço, amigo Flávio Bolsonaro. Firme pela Pátria!”, publicou o presidente colombiano.
A jornada de lutas contra a medida reuniu entidades de grande representatividade no país, como a Central Unitária dos Trabalhadores, a Federação Colombiana de Educadores e o Conselho Regional Indígena do Cauca. Em Bogotá, o ex-candidato à Presidência pelo Pacto Histórico, Iván Cepeda, participou dos protestos.