O anúncio de Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), formando uma chapa “puro-sangue” do PL após negociações frustradas com partidos do Centrão, gerou uma nova crise e aumentou o isolamento da candidatura de ultradireita.
Com aval de Jair Bolsonaro (PL), a escolha de Gaspar, parlamentar de primeiro mandato e ex-promotor de Justiça, ocorreu no último dia do prazo para as convenções partidárias e surpreendeu por revelar a escassez de alternativas do bolsonarismo. No mesmo dia, a Polícia Federal recebeu um pedido de diligências da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a denúncia de suposto estupro de vulnerável contra o agora novo vice na chapa do clã Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro chegou ao último dia do prazo para convenções partidárias sem um vice confirmado e sem alianças fechadas. PP, União Brasil, Republicanos e até o Podemos recusaram compor a chapa, preferindo preservar espaço nas disputas estaduais e para o Congresso. O resultado foi uma chapa “puro-sangue” do PL, expressão que, no contexto eleitoral brasileiro, sinaliza não uma escolha ideológica deliberada, mas a ausência de parceiros dispostos a embarcar na candidatura.
O nome de Alfredo Gaspar passou a ser cogitado já na madrugada da quarta-feira (5), menos de 24 horas após lançar sua candidatura ao Senado em Alagoas. Até a véspera, o próprio Flávio Bolsonaro declarava publicamente preferir uma mulher para o posto, e nomes como os da senadora Tereza Cristina (PP-MS) e da ex-presidente da Caixa, Daniella Marques Consentino (Republicanos) circulavam nas especulações.
No mesmo dia em que Flávio Bolsonaro anunciava seu vice, a Polícia Federal recebia um pedido de diligências da Procuradoria-Geral da República sobre uma denúncia de suposto estupro de vulnerável contra Gaspar.