Nayib Bukele registrou candidatura às primárias do Nuevas Ideas para concorrer ao terceiro mandato consecutivo na presidência de El Salvador.
A possibilidade de reeleição indefinida foi viabilizada após alteração constitucional aprovada por aliados no Congresso.
As primárias estão agendadas para 12 de julho, sem expectativa de oposição interna, e a eleição geral ocorrerá em fevereiro do próximo ano.
O anúncio foi divulgado por Xavi Zablah, líder do partido e primo de Bukele, e contou com a inscrição do vice‑presidente Félix Ulloa.
Admirado por Flávio Bolsonaro e por toda a hoste bolsonarista, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, registrou sua candidatura às primárias do partido governista Nuevas Ideas no domingo, em busca da indicação para a eleição presidencial de 2027 e de um terceiro mandato consecutivo. O movimento foi possível após aliados no Congresso alterarem a Constituição para permitir a reeleição por tempo indeterminado, removendo restrições que antes impediam a continuidade no cargo. As primárias estão marcadas para 12 de julho, sem expectativa de oposição interna, e as eleições gerais ocorrem em fevereiro do próximo ano.
Bukele registra candidatura para terceiro mandato
O anúncio foi feito no final do domingo por Xavi Zablah, líder do Nuevas Ideas e primo do presidente, que publicou “Estamos prontos” no X. O vice-presidente Félix Ulloa também formalizou sua inscrição para concorrer a outro mandato ao lado de Bukele. Os dois devem participar das primárias do partido em 12 de julho, sem adversários esperados dentro da legenda.
A candidatura de Bukele para 2027 representa sua terceira disputa consecutiva pela presidência de El Salvador. Ele assumiu o cargo pela primeira vez em 2019 e está cumprindo o segundo mandato, iniciado em 2024. Em dezembro, o presidente já havia declarado publicamente estar aberto a permanecer no poder por mais uma década, sinalizando uma ambição de longo prazo que agora ganha forma institucional com o registro formal da candidatura.
A manobra constitucional que abriu o caminho
A candidatura de Bukele só é possível porque aliados do partido governista no Congresso aprovaram, em julho do ano passado, uma emenda constitucional que encurtou o mandato atual do presidente, iniciado em 2024, e abriu a possibilidade de ele concorrer a um novo mandato de seis anos. Na mesma votação, os parlamentares removeram as restrições constitucionais que antes impediam a reeleição presidencial, aprovando a reeleição por tempo indeterminado.
O resultado prático é direto: se eleito em fevereiro de 2027, Bukele permanecerá no cargo até 2033, acumulando mais de 14 anos contínuos à frente do Executivo salvadorenho. A sequência de alterações legislativas foi conduzida inteiramente por aliados do próprio presidente, sem resistência institucional relevante, o que levanta questões sobre a independência do Legislativo em relação ao Executivo no país.
Popularidade sustentada pelo estado de emergência
Bukele, que completa 45 anos em julho, mantém altos índices de aprovação nas pesquisas. Essa popularidade é atribuída, em grande parte, ao estado de emergência em vigor desde 2022, que resultou em queda acentuada no número de homicídios em El Salvador, país que por anos figurou entre os mais violentos do mundo. A percepção de segurança ampliada tornou-se o principal ativo político do presidente.
O próprio Bukele sinalizou, em dezembro, o desejo de permanecer no cargo por mais uma década, o que indica que a candidatura para 2027 não é um movimento de última hora, mas parte de um projeto político de longo prazo. A popularidade elevada funciona, nesse contexto, como respaldo para iniciativas que concentram poder, tornando mais difícil qualquer contestação interna ou pressão por alternância.
O que está em jogo para a democracia salvadorenha
A alteração constitucional que eliminou os limites à reeleição presidencial representa uma mudança estrutural no sistema político de El Salvador. A ausência de oposição nas primárias do Nuevas Ideas e o fato de que as emendas foram aprovadas por aliados do próprio presidente no Congresso indicam um enfraquecimento dos mecanismos de freios e contrapesos que caracterizam sistemas democráticos. Quando o Legislativo atua como extensão do Executivo para remover restrições ao exercício do poder, o equilíbrio institucional se desfaz.
O estado de emergência, embora associado à redução da violência e sustentado por alta aprovação popular, tem sido criticado por seu impacto sobre direitos civis e liberdades individuais. Os detalhes sobre o alcance dessas restrições, como eventuais prisões arbitrárias ou limitações de garantias processuais, ainda dependem de apuração com base em relatórios de organizações de direitos humanos. O que os fatos confirmados já permitem afirmar é que a perspectiva de um governo sem limite constitucional de mandatos aprofunda esse quadro: quanto mais longa e concentrada a permanência no poder, menor a margem para que qualquer instrumento de exceção seja revisado ou contestado por outras instâncias do Estado.