Primeiro, o pai fez continência à bandeira dos Estados Unidos. Depois, o irmão mudou-se para lá a fim de conspirar contra instituições brasileiras e os interesses nacionais. Agora, o senador Flávio Bolsonaro escancarou os compromissos da família flavio bolsonaro a soberania brasileira ao transformar em comício uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos EUA que tratava de argumentos técnicos contra tarifas adicionais a produtos brasileiros.
Foi mais uma ação do senador contra o Brasil, dando continuidade à tentativa de golpe que condenou seu pai, Jair Bolsonaro, a mais de 27 anos de prisão. O senador do PL viajou aos EUA não para defender empregos, empresas ou trabalhadores, mas para atuar como linha auxiliar de ofensiva contra o País: tarifaço, sanções via Magnitsky, ataques ao Pix, pressão sobre minerais críticos e a vergonhosa oferta de uma “equipe de transição” inexistente na lei brasileira. É o bolsonarismo tentando entregar no exterior o que não venceu nas urnas.
Com postura de vassalo, esqueceu que é senador. Em vez de apresentar argumentos contrários ao tarifaço, como fizeram empresários e o Itamaraty, o político de extrema-direita atacou o presidente Lula e sugeriu ao governo Trump que espere as eleições para negociar com um novo presidente – que presume ser ele, mais alinhado a Washington. Colocou-se como serviçal de Trump, como se o Brasil fosse uma neocolônia. Despreza o povo que paga seu salário: enquanto viajava aos EUA para articular contra o País, abandonou o trabalho em Brasília.
No início de junho, o USTR defendeu tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, criticou o Pix e acusou, sem fundamento, o governo brasileiro de promover ações ilegais no comércio. Os EUA também classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, estimulando sanções contra o Brasil, com amparo do clã Bolsonaro. O filho 01 transformou o mandato em sabotagem. Um senador eleito não pode viajar para estimular tarifaço, sanções, chantagem econômica e pressão sobre setores estratégicos. Essa conduta tem nome, traição à Pátria. Ele precisa responder se representa os brasileiros ou se virou a casaca para defender Washington.
O empresariado nacional repudiou o entreguismo do senador, considerando sua postura constrangedora e antagônica ao pragmatismo do Itamaraty e das empresas nas negociações com os EUA. Em ambiente estritamente técnico, o bolsonarista discursou sobre big techs, Pix e corrupção – temas deslocados do propósito da audiência. Curiosamente, esqueceu-se de citar suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso, a quem pediu 134 milhões de reais para um filme laudatório ao pai. Flávio Bolsonaro é suspeito de praticar “rachadinhas”, lavar dinheiro por meio de loja de chocolates, manter relações com milicianos e comprar imóveis em dinheiro vivo. Apresentou-se ao lado do irmão Eduardo, deputado cassado e condenado à prisão, que vive nababescamente nos EUA, sem explicar a origem dos recursos que o sustentam, e passa o tempo conspirando contra o Brasil. A dupla nociva mostrou-se indigna do empresariado e dos trabalhadores brasileiros dos segmentos exportadores. Ambos são vassalos do “imperador” Trump.