O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, passou a enfrentar questionamentos de ministros e técnicos da corte e do Supremo Tribunal Federal (STF) por decisões e declarações consideradas convergentes com teses da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. O ministro nega favorecer o bolsonarista e afirmou reservadamente que atuará com neutralidade.
Entre os episódios que alimentaram as críticas está a suspensão de uma pesquisa Atlas/Bloomberg, solicitada pela campanha de Flávio, que apontava queda de seis pontos nas intenções de voto do senador após o caso “Dark Horse”. Kassio entendeu que a exibição de um vídeo aos entrevistados poderia influenciar o eleitorado.
Segundo a Folha, o presidente do TSE disse em conversas reservadas que adotaria a mesma decisão se uma pesquisa exibisse imagens de Lula preso em 2018. A avaliação do ministro é que esse tipo de material pode induzir respostas e exige regras mais rígidas para levantamentos eleitorais.
Kassio também defendeu a discussão de medidas como um selo de acurácia para institutos e um novo modelo de registro de pesquisas no TSE. Dois ministros ouvidos pela Folha avaliam que essas propostas podem criar suspeitas sem fundamento sobre os levantamentos e desgastar a confiança no processo eleitoral.
Outro foco de atrito envolve um vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem de Jair Bolsonaro, exibido na convenção do PL. Antes de se tornar relator do pedido da coligação de Lula para declarar o ato irregular, Kassio disse ao jornal O Estado de S. Paulo que “usar IA para fazer campanha é lícito, mas não pode usar para prejudicar alguém”.