A imprensa corporativa brasileira tem tratado a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro como uma polarização entre “dois polos opostos e equivalentes”, quando, a rigor, “só um deles é radical”.
A simetria midiática que equipara Lula e Flávio Bolsonaro não é um mero erro jornalístico: ela cria as condições para que um projeto de subordinação nacional seja apresentado como uma alternativa política legítima.
Como aponta a análise da Agência Pública, a centro-esquerda de Lula é apresentada como “pólo inverso e, portanto, equivalente à extrema direita de Flávio Bolsonaro – um erro, também jornalístico, que enviesa toda a cobertura da campanha”.
O texto é direto: “Lula não é comunista, mas Flávio é fascista, e a imprensa poderia ter deixado essa diferença clara para a população”.
Esse escudo da imparcialidade ignora que as eleições de 2026 são as primeiras após uma tentativa de golpe de Estado condenado pela Justiça.