A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar Jair Bolsonaro por 90 dias atingiu diretamente a pré-campanha presidencial do PL e abriu uma disputa interna sobre o tamanho do prejuízo político.
Aliados do senador avaliam que a restrição interfere na condução da campanha porque o ex-presidente, mesmo em prisão domiciliar, seguia como principal conselheiro do filho em negociações sobre alianças estaduais e estratégias eleitorais. Sem encontro direto, Flávio perde um canal de consulta justamente na fase de definição dos palanques.
O PL trabalha para concluir as articulações nos estados e oficializar a candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto. A convenção nacional do partido está marcada para o dia 25, em São Paulo, e a defesa do senador deve recorrer ao STF para tentar derrubar a decisão de Moraes.
Na carta lida por Flávio no sábado (11), Jair Bolsonaro pediu que aliados “deixem de lado possíveis diferenças” e trabalhem em favor de “nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro”. O ex-presidente também se referiu ao senador como seu “porta-voz”.
Moraes suspendeu as visitas nesta segunda-feira (13) ao entender que Flávio desrespeitou decisão anterior do STF ao ler, durante uma transmissão nas redes sociais, uma carta atribuída ao ex-presidente. A ordem anterior proibia Jair Bolsonaro de usar redes sociais “diretamente ou por intermédio de terceiros”.