O presidente Lula (PT) colocou Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, no centro de seu confronto eleitoral com Flávio Bolsonaro (PL) ao desafiar o estadunidense a “monte um comitê” para o senador e pré-candidato à Presidência. A frase marcou uma mudança no tom do presidente, que passou a nomear uma autoridade de Washington como parte do embate político no Brasil.
Até então, Lula atacava a pressão dos EUA de forma mais ampla. O petista criticava o tarifaço e as sanções contra autoridades brasileiras como instrumentos da diplomacia de Donald Trump e acusava Flávio e os Bolsonaros de se alinharem a interesses estrangeiros, usando a defesa da soberania como eixo de campanha.
No discurso da segunda-feira (20), Lula deslocou o alvo. O adversário eleitoral deixou de ser apenas Flávio Bolsonaro e passou a incluir, na narrativa do presidente, uma coalizão associada a uma potência estrangeira. Ao citar Rubio nominalmente, o petista deu rosto a uma acusação que vinha formulando de maneira difusa.
A Casa Branca já havia entrado no tabuleiro político ao receber Eduardo Bolsonaro, que defendia publicamente a aplicação de tarifas ao Brasil como ferramenta de pressão, e depois Flávio Bolsonaro, apresentado como pré-candidato à Presidência. Lula passou a tratar essa aproximação como elemento de campanha contra o senador.
O movimento ocorre às vésperas da implementação de um novo tarifaço americano contra o Brasil. Lula tenta explorar uma fragilidade política de Flávio nesse cenário, embora a decisão dos EUA faça parte de uma ofensiva mais ampla da Casa Branca sobre diversos países.