Os filhos de Jair Bolsonaro passaram a suspeitar que a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de suspender as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai fortaleceu Michelle Bolsonaro como interlocutora do ex-presidente, segundo apuração de Bela Megale, do Globo.
Moraes adotou a medida depois que Flávio leu publicamente uma “carta aos brasileiros” entregue por Bolsonaro durante visita na prisão domiciliar. Questionado pelo ministro, o ex-presidente alegou que não sabia que o filho pretendia tornar o texto público.
Na avaliação dos filhos de Bolsonaro, o despacho impediu o contato direto com o filho que o próprio ex-presidente havia indicado no manuscrito como porta-voz. Eles interpretam que o efeito prático da decisão deixa Michelle em posição de maior influência sobre as mensagens atribuídas ao marido.
Aliados da ex-primeira-dama afirmam desconhecer qualquer aproximação direta dela com Moraes, mas admitem uma diferença de estratégia dentro do bolsonarismo. Michelle defende diálogo com o magistrado, enquanto outra ala aposta no confronto com o STF.
A divergência ganhou força porque os filhos veem a postura de Michelle como concessiva demais. Um episódio citado por eles é a ocasião em que a ex-primeira-dama chamou Moraes de “irmão em Cristo”, expressão que incomodou integrantes da família que tratam o ministro como adversário político de Bolsonaro.