Malu Gaspar publicou nesta quinta-feira (8), no Globo, um artigo em que responsabiliza Lula pelo avanço de Flávio Bolsonaro e rejeita qualquer responsabilidade da imprensa pela ascensão da extrema direita.
É uma tentativa conveniente de tirar o próprio corpo de uma tragédia anunciada. A chamada razão cínica, na definição do alemão Peter Sloterdijk.
A jornalista publicou vazamentos seletivos que ajudaram a deslocar o foco das denúncias envolvendo Flávio, Daniel Vorcaro e a operação “Dark Horse” para Lulinha e Alexandre de Moraes. Sua cobertura obsessiva alimentou uma ofensiva contra o Supremo Tribunal Federal, transformada em plataforma eleitoral por candidatos ao Senado que fizeram do impeachment de Moraes sua principal bandeira.
Não vão parar em Moraes, evidentemente. Um sujeito eleito pelo Maranhão já fala em se vingar de Flávio Dino.
Agora, diante da possibilidade de um governo comandado pelo filho de um golpista condenado, Malu pretende convencer o público de que a imprensa não teve participação alguma nesse processo. Cobra autocrítica de Lula, mas se recusa a examinar as consequências de suas próprias escolhas.