“O velho abutre é sábio
e alisa as suas penas.
A podridão lhe agrada
e seus discursos
têm o dom de tornar
as almas mais pequenas.”
–Sophia de Mello Breyner, no poema “O Velho Abutre”
A médica e pesquisadora Margareth Dalcolmo impressiona pela clareza, inteligência e confiança que transmite nas entrevistas. Ela exala competência e seriedade. Nos tempos tristes e desesperadores da pandemia de covid, a sua presença nos acompanhava e nos acolhia.
Trancados em casa, acompanhávamos, estarrecidos, a leitura macabra dos números de mortos anunciados diariamente. Além disso, cada um de nós, à época, carregava a dor e a preocupação por algum familiar ou amigo. Eu passei noites com 2 queridos irmãos, internados e entubados, com sérios riscos de morte. E os relatos se acumulavam sobre as mortes de parentes, amigos e conhecidos. Foi um pesadelo que ainda nos acompanha. E que sempre vai nos amedrontar.
Nesta semana, a dra. Dalcomo, durante um ciclo de debates sobre cinema e direitos humanos realizado na Estação Claro Rio, ao participar da exibição do documentário “Anatomia do Caos“, fez uma declaração que trouxe de volta toda tristeza, revolta e indignação pelo descaso oficial e criminoso do governo Bolsonaro com a pandemia. Ela, com a autoridade que ostenta, falou o que muitos de nós já intuíamos: