
A matriz ideológica do Datafolha aponta que 24% dos eleitores declarados do presidente Lula (PT) estão à direita ou à centro-direita, enquanto 19% dos que dizem votar no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem à esquerda ou à centro-esquerda. Os dados constam do levantamento feito em junho e indicam que as bases dos dois pré-candidatos não se limitam aos campos políticos normalmente associados a eles.
A classificação não resulta de autodeclaração. O Datafolha calcula a posição ideológica dos entrevistados a partir de respostas sobre comportamento, valores e economia. No conjunto do eleitorado brasileiro, a identificação com a direita ou centro-direita chegou a 44%, acima dos 39% classificados à esquerda ou centro-esquerda.
Entre os eleitores de Lula, 24% aparecem na esquerda, 36% na centro-esquerda, 16% no centro, 19% na centro-direita e 5% na direita. Somadas, as faixas de esquerda e centro-esquerda chegam a 60% dentro do eleitorado declarado do petista.
No caso de Flávio Bolsonaro, 25% dos eleitores ficam na direita, 38% na centro-direita, 17% no centro, 15% na centro-esquerda e 3% na esquerda. Pelos arredondamentos, a soma dos dois primeiros segmentos alcança 64%, e a dos dois últimos chega a 19%.
Recorte de 2022 e posições sobre temas econômicos e comportamentais
O recorte pelo voto declarado no segundo turno de 2022 apresenta distribuição semelhante. Entre os que afirmam ter votado em Lula, 56% estão à esquerda ou centro-esquerda, 17% no centro e 27% à direita ou centro-direita. Entre os que dizem ter votado em Jair Bolsonaro (PL), 64% ficam à direita ou centro-direita, 17% no centro e 19% à esquerda ou centro-esquerda.
Algumas respostas mostram divergências entre preferências eleitorais e bandeiras dos candidatos. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 34% dizem acreditar que a posse de armas deve ser proibida por representar ameaça à vida de outras pessoas, posição contrária a uma das principais pautas do pré-candidato do PL.

Entre os eleitores de Lula, 26% afirmam que as leis trabalhistas no Brasil atrapalham mais o crescimento das empresas do que protegem os trabalhadores. O dado aparece em um momento em que o Planalto aposta na defesa do fim da escala 6×1 como tema eleitoral.
Nos dois grupos, a maioria defende punição mais dura para adolescentes que cometem infrações: 61% dos eleitores de Lula e 81% dos de Flávio dizem que eles devem ser punidos como adultos. Sete em cada dez entrevistados dos dois lados também afirmam que o governo tem dever de ajudar grandes empresas nacionais que corram risco de falir.
A matriz ideológica reúne 16 perguntas: dez compõem a escala de comportamento, com temas como pobreza, criminalidade, homossexualidade, crença em Deus, sindicatos e punição de adolescentes; outras seis formam a escala econômica, com questões sobre impostos, papel do governo, benefícios públicos, leis trabalhistas e investimento.
Comportamento e economia têm o mesmo peso no cálculo final, de 50% cada. O Datafolha ouviu presencialmente 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios, nos dias 17 e 18 de junho de 2026; a margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança, e a pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-09956/2026.